DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 14/09/2017

Setor financeiro cobra aprimoramento do programa de financiamento estudantil

Representantes do setor financeiro defenderam quarta-feira (13) a concessão de crédito estudantil, mas cobraram o aprimoramento da Medida Provisória 785/17, que reformula o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), como forma de ampliar a transparência, a responsabilidade e o poder de escolha do aluno.

A medida, que é relatada em comissão mista pelo deputado Alex Canziani (PTB-PR), tramita em regime de urgência no Congresso Nacional e teve a vigência prorrogada até 17 de novembro.

Em audiência pública na comissão, o diretor de Negócios da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Rafael Baldi, destacou a criação da modalidade Fies-3, com utilização dos fundos constitucionais de desenvolvimento e do BNDES.

Ele afirmou que o enquadramento dos alunos deve ser aperfeiçoado, e destacou a inadimplência no fundo de financiamento, que atinge até 51,4%, o que inviabilizaria o lançamento de qualquer modalidade, até mesmo pelo setor financeiro.

“Tem que ficar claro para o aluno que é um empréstimo, não uma bolsa. O aluno tem dificuldade em saber do saldo devedor, o que pode contribuir para a inadimplência. Ele precisa ser informado quanto à evolução de sua dívida”, afirmou.

Fonte de recursos

Representante do BNDES, Carlos Vianna Costa cobrou o aprimoramento do artigo 15 da MP, com a indicação efetiva da fonte de recursos e a inclusão do repasse a agentes financeiros associados ao banco como uma das modalidades previstas no financiamento.Com orçamento previsto de R$ 2,4 bilhões, o banco atuará na modalidade Fies-3, que tem foco em alunos com renda familiar de até 5 salários mínimos per capita.

Carlos Furlkan, da Ideal Invest, que atua no financiamento estudantil há 11 anos, disse que a modalidade só vai ser grande e produtiva no Brasil se contar com o esforço combinado do poder público e da iniciativa privada. A modalidade de financiamento, observou, é diferente do crédito pessoal, pois o aluno não consegue pagar a taxa de juro cobrada no crédito pessoal, e também do financiamento de imóvel ou carro, porque não tem o bem para dar como garantia.

Diário de Notícias | 14/09/2017